Pró-labore: o salário do sócio
Depois de recebermos alguns e-mails com dúvidas dos leitores do blog, um assunto recorrente tem nos chamado a atenção: o pró-labore. Sócios de empresas que orientamos na regularização documental tem se perdido neste tema, e claro que estamos aqui para auxiliar no possivel.
Alguns empreendedores não sabem o que ele é exatamente – e os que sabem, por julgarem que estariam tirando um dinheiro importante do caixa da empresa, decidiram por não definir um pró-labore.
Por isso resolvemos escrever um artigo só para falar sobre o pró-labore, porque ele é importante e como defini-lo na sua empresa. Vamos lá?
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O que é pró-labore?
Nas pequenas e médias empresas os sócios podem retirar dinheiro de duas maneiras: com o pró-labore e com a divisão de lucros. Não confunda pró-labore com divisão de lucros!
Pró-labore significa “pelo trabalho” em latim. Ele é a remuneração que o sócio recebe pelo trabalho executado dentro da empresa.
Se o sócio não desempenha nenhuma função dentro da empresa, ele não deve receber o pró-labore, apenas o que lhe cabe na divisão de lucros.
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A Divisão de lucros é o que sobra depois de todos os custos, despesas e impostos serem pagos e geralmente é feita no fim de períodos maiores, como um semestre ou um ano.
Se a empresa tiver prejuízo, não é permitido dividir lucros antes que as dívidas sejam saldadas.
Empresas em crescimento também não costumam distribuir dividendos, porque elas reinvestem os lucros na ampliação do negócio.
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Por que é importante definir um pró-labore?
Os motivos para a importância do pró-labore são muitos, mas se eu pudesse resumir em uma resposta, seria: para não enganar sua empresa.
Quando os sócios não definem um pró-labore, a empresa é enganada pela “falta de custos” nos projetos em que eles participam, ou seja: se você trabalhou em um determinado projeto ou desempenhou qualquer papel dentro da empresa você também é um custo.
Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a frase: “Eu não tenho salário. Faço retirada quando dá, quando não dá não recebo nada”.
Ignorar este custo e retirar o dinheiro quando dá causa uma bagunça danada nas contas, especialmente na hora de avaliar o quanto deve cobrar por seus produtos e serviços.
Isso é um erro comum cometidos pelos empreendedores!
Lembre-se: se um sócio desempenha uma função dentro da empresa, seja administrando ou atuando nos projetos, ele deve considerar o valor do seu trabalho na hora de contabilizar os custos.
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Vamos a um exemplo:
Imagine uma empresa que faça estruturas em concreto. Esta empresa tem dois sócios: o Luiz e o Alberto.
O Luiz apenas acompanha o negócio de longe, pois investe regularmente na empresa mas não trabalha nela. O Alberto, além de ser sócio, é também o engenheiro responsável por projetar as estruturas.
Apesar de trabalhar no projeto, o Alberto diz: “Eu não tenho salário. Faço retirada quando dá, quando não dá não recebo nada”.
Muito bem, já que o Alberto não tem salário, então, um orçamento de uma obra feita por esta empresa poderia ser parecido com este:
----------------------------------------------------------------------------------- | Estruturas em Concreto Ltda. Orçamento nº 000078 | | | | | | | | Materia prima (concreto).............................................R$ 10.000,00 | | | | Profissionais de produção............................................R$ 5.000,00 | | | | Projetista (Engenheiro)..............................................R$ 0,00 | | | |___________________________________________________________________________________| | Subtotal.............................................................R$ 15.000,00 | | | | Impostos.............................................................R$ 1.200,00 | |___________________________________________________________________________________| | | | | | Total do Projeto.................................................... R$ 16.200,00 | | | -----------------------------------------------------------------------------------
Para ter lucro com o projeto, Alberto coloca uma “gordura” em cada item. O esperado é que, se tudo correr bem, os custos estarão dentro do previsto.
Note que, neste orçamento, o projetista custará R$ 0,00, já que o Alberto não contabiliza o próprio salário.
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A vida real
Depois de realizar o projeto e fazer a contabilidade dos custos do projeto, Alberto teve a seguinte informação:
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Contabilidade dos custos do Projeto 000078
Custos
Matéria Prima..................................................R$ 8.997,50
Salário João (produção)........................................R$ 2000,00
Salário José (produção)........................................R$ 2000,00
Salário Alberto (projeto)......................................R$ 0,00
Despesas
Transporte.....................................................R$ 500,00
Despesas administrativas.......................................R$ 800,00
__________________________________________________________________________________
Subtotal: R$ 14.297,50
Impostos: R$ 1200,00
__________________________________________________________________________________
Custo total do projeto: R$ 15.497,50
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Bem, se a Estruturas em Concreto Ltda cobrou R$16.200,00 e o total de custos foi R$15.497,50, então:
---------------------------------------- Valor do projeto: R$ 16.200,00 Custo total do projeto: - R$ 15.497,50 ________________________________________ Resultado do projeto: R$ 702,50 ----------------------------------------
R$ 702,50 é o lucro que sobrou para Alberto, certo?
Errado! Mesmo Alberto tendo trabalhado no projeto, este é o dinheiro que sobrou para a Estruturas em Concreto Ltda reinvestir na empresa e dividir entre os seus 2 sócios.
“Xiiii, mas aí não vai sobrar quase nada!“, você poderia dizer.
Pois é, não vai sobrar quase nada. Mas poderia ser pior.
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Em um cenário pessimista
Imagine se Alberto, o sócio, ficasse doente e a Estruturas em Concreto Ltda precisasse contratar às pressas um engenheiro projetista, com salário de mercado de R$ 5000,00.
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Contabilidade dos custos do Projeto 000078
Custos
Matéria Prima..................................................R$ 8.997,50
Salário João (produção)........................................R$ 2000,00
Salário José (produção)........................................R$ 2000,00
Salário Engenheiro Freelancer (projeto)........................R$ 5.000,00
Despesas
Transporte.....................................................R$ 500,00
Despesas administrativas.......................................R$ 800,00
__________________________________________________________________________________
Subtotal: R$ 19.297,50
Impostos: R$ 1200,00
__________________________________________________________________________________
Custo total do projeto: R$ 21.497,50
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Bem, se a Estruturas em Concreto Ltda cobrou R$16.200,00 e o total de custos foi R$21.497,50, então:
---------------------------------------- Valor do projeto: R$ 16.200,00 Custo total do projeto: - R$ 21.497,50 ________________________________________ Resultado do projeto: - R$ 4.297,50 ----------------------------------------
O resultado seria um prejuízo de R$ 4297,50 para o projeto e, se a empresa não tiver um fluxo de caixa saudável para arcar com isso, pode ser o princípio do fim (se este é o seu caso, vale a pena ler nosso post com 10 dicas para organizar o seu fluxo de caixa).
Se a Estruturas em Concreto Ltda tivesse um pró-labore definido para o Alberto, este custo já estaria incluído no orçamento do projeto e essa eventualidade não traria problemas.
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Como definir um pró-labore?
Você pode começar seguindo estes 4 passos:
- Defina quais são as atividades que o sócio realiza na empresa;
- Faça uma pesquisa para saber qual é a média de salário de um profissional que realize as mesmas atividades do sócio;
- Defina o valor do pró-labore do sócio baseado na média de salário do mercado;
- Considere pagar este valor todo mês, como um salário de outro funcionário qualquer.
O assunto é sério. Sem um pró-labore definido pode ser impossível saber os custos reais da empresa e consequentemente se ela teve lucro ou prejuízo.
Por isso, sócio, pare de se arriscar e defina um pró-labore agora!
